sexta-feira, 14 de novembro de 2014

"Amigos fãs de tokusatsus UNAM-se mais." - Jorge Hakaider

O entrevistado de hoje é um daqueles tokufãs extremamente apaixonado pelas séries, pelas variações e heranças promovidas pelas séries de tokusatsu. Uma pessoa feliz com aquilo que se propõe a fazer e um amigo com quem você pode contar a qualquer momento.

Ele viaja nos pequenos detalhes das séries e sempre estar pronto a divulgar o que encontra de melhor falando a respeito das séries. Ele é um dos membros do Grupo Toku Bahia / MEGA HERO e, assim como aconteceu com o Raphael Maiffre, também o conheci no ano passado no Bom Odori, aliás, não só ele como sua família cativante. Estou falando do Jorge Hakaider.


Um fã apaixonado
Taty - Conte-nos como foi o seu primeiro contato com uma série de tokusatsu e qual foi essa série?
Hakaider - Foi com a série Goldar - Vingadores do Espaço (Magma Taishi) tinha uns 03 anos de idade. Lembro-me de estar no berço assistindo! Antigamente os berços eram grandes! (risos) Lembro perfeitamente de um episódio em particular na qual o Goldar lutava contra um monstro no meio da cidade e por conta disso a polícia evacua o local. Dentro de um dos prédios havia um bebê que tinha sido esquecido e então mostrava do lado de fora a mãe desesperada gritando para que o resgatem. O garoto Niko entra no prédio que estava prestes a desabar para salvar o bebê, enquanto Goldar segurava o monstro. Aquilo me marcou muito e ficou guardado na minha memória até hoje. Interessante é que eu comprei o Volume 01 do Box Vingadores do Espaço, mas não tive a oportunidade de assistir este episódio que me marcou tanto. Após esta série, lembro que duas outras me marcaram bastante, Ultraseven e Spectreman, que foram exibidas quase que simultaneamente na TVS (atual SBT), no início dos anos 80. Guardo a lembrança saudável de assistir Spectreman ao lado de minha avó (que gostava muito por sinal) uma vez que o programa era exibido as segundas, quartas e sextas às 19 h (as terças e quintas era a vez da série da Mulher-Maravilha).

Hakaider
Taty - De que forma o tokusatsu influenciou a sua vida? E qual a história do seu apelido “Hakaider”?
Hakaider - Sem dúvida influenciou muita coisa boa. Mensagens positivas de ajudar o próximo, ser fiel aos amigos, ter coragem para enfrentar os problemas, mesmo estando com medo, entre outros. Esse caso que citei acima do personagem Niko (uma criança) que arrisca a vida para salvar um bebê que estava em um prédio prestes a desabar é um claro exemplo de coragem e amor ao próximo.
O meu apelido de Hakaider surgiu por conta da minha paixão pela versão cinematográfica feita pelo Keita Amemiya do personagem nos anos 90. Acho aquele filme muito bom! No início eu usei como nick no meu perfil do Orkut, mas com a ascensão do Facebook eu fiquei mais “popular” e esse apelido acabou pegando entre os amigos.

Taty - Hoje, você está casado e com uma filha, mas de uma forma bem dinâmica e expressiva as séries de tokusatsu também faz parte da sua família. Como foi uni-los e de que forma você apresenta as séries que marcaram a sua infância para a sua filha?
Hakaider - Começou por acaso. A Fabiane (minha esposa) só conhecia as séries populares que passaram na Manchete (Jaspion, Changeman, Jiraiya, Jiban, etc.), mas não era fã como eu. Quando comecei a fazer downloads de séries resolvi assistir Metalder e ela acabou acompanhando junto comigo. Nayana ainda era muito pequena e nem viu. Depois assistimos Kamen Rider Kuuga, Agito e Ryuki ela adorou! A partir daí fomos seguindo com outras séries como Ultraman Nexus, Kamen Rider BLACK e RX, Lion Man e Lion Man G, entre outros, sempre procurando mesclar séries clássicas com atuais. Nayana estava crescendo e por acaso começou a se interessar, mais com o visual dos personagens. Ela gostava mais das músicas. Tenho uns DVDs de shows como Super Sentais Spirits e clipes com temas famosos dos tokusatsus que Nayana adorava ver e dançar. Mas nunca foi algo imposto, sempre procurei mesclar as coisas que eu gostava com os programas que ela assistia na idade dela, afinal não tenho esse direito de privá-la dos programas atuais. O primeiro tokusatsu que ela demonstrou gostar, mesmo pequena foi a série Mahou Sentai Magiranger, por sinal foi uma série que eu e minha esposa também gostamos muito, talvez mais por conta dela focar nesse lance união em família. Outra série que ela gostou muito foi Gokaiger. Atualmente, Nayana está com 06 anos e divide suas paixões entre Barbies, Polys, Monster High, Clube das Winx, Sailor Moon e tokusatsus.
Nayana-chan de Luka Milfy (Cosplay)

Taty - Hoje a Nayana é praticamente presença garantida nos eventos ligados à cultura japonesa que apresenta a competição de Cosplay. Qual foi o primeiro cosplay de personagem de tokusatsu vivenciada por ela e como ela encara tudo isso?
Hakaider - De tokusatu foi Sailor Marte do Live Action Pretty Guardian Sailor Moon que ela ama! Depois ela fez a Luka Milfy/Gokai Yellow de Gokaiger, no Anipólitan do ano passado.

Taty - Dizem que atrás de todo homem existe uma grande mulher. A sua esposa, Fabiane, costuma ser o seu braço direito nessa empreitada, seja na confecção dos cosplays para a Nayana ou na criação de figuras em biscuit dos personagens de tokusatsu, ou ainda nas pinturas de camisetas ligadas ao tema. De quem partiu a ideia nessa parceria? Ela também curte as séries?
Hakaider - Isto também é interessante. Desde que nos conhecemos, Fabiane sempre mostrou talento para confecção de artesanato. Ela já havia trabalhado criando paineis para festas de aniversários, mas quando eu a conheci não queria mais trabalhar nesse ramo. Ela que elaborou as lembrancinhas do nosso casamento, além dos paineis da festa de aniversário do primeiro ano de Nayana. Quando começamos a assistir juntos tokusatsus, eu questionei se ela não seria capaz de criar algum boneco de tokusatsu com biscuit ou outro material. Ela começou a fazer sem muita expectativa. Acabou nascendo um boneco do Kamen Rider BLACK que tinha 40 cm. Junto com esses foram confeccionados outros bonequinhos menores do Gorangers, um Big One com 30 cm e um boneco do Ultraman do mesmo tamanho. Coloquei em exposição no Estande do Toku Bahia no Bom Odori 2012 e fez muito sucesso. O fato de ela ter trabalhado na confecção de paineis de festa tornou ainda mais fácil à pintura com em camisas. A partir daí, percebemos que dava para aproveitar esse talento dela e ganhar um dinheiro extra. Criei a página Artes em Biscuit e Camisas no Facebook (www.facebook.com/artesembiscuitecamisas) e desde então ela tem aprimorado cada vez mais suas técnicas na confecção com uma facilidade que me espanta. Atualmente ela trabalha não só com biscuit, mas também com MDF, pintura em tela, bonecas de pano, totens em madeira e outros. Eu também sempre desenhei desde pequeno. Fazia HQs com histórias do Spectreman para vender para os colegas de escola (que compravam!!!), então percebi que não estava “enferrujado” e ultimamente assumi a parte de pinturas em camisas, enquanto que ela faz as encomendas com o biscuit. Hoje trabalhamos com encomendas para todo o Brasil, tem sido muito gratificante e devo isso aos tokusatsus.

Franquia Ultraman - uma das suas preferidas
Taty - Das principais franquias do universo tokusatsu, qual é a sua preferida e por quê?
Hakaider - As minhas preferidas são em primeiro lugar Ultraman, seguido de Godzilla e Metal Heroes. Acho Ultraman é um gênero com uma pegada muito séria e voltado mais para a ficção científica, da qual sou fã incondicional. Quem assiste Ultraseven, por exemplo, vê episódios que são ficção científica da mais alta qualidade, que não perde em nada para outros seriados do mesmo gênero e que eram sucesso na época, como Jornada nas Estrelas ou Perdidos no Espaço. Godzilla é um gênero que sempre me fascinou, junto com outros filmes de monstros gigantes e Metal Heroes mais por conta do ritmo e a ação.

Taty - Você costuma acompanhar as séries atuais ou prefere as séries exibidas antes do ano 2000? Comente sobre isso.
Hakaider - Sim, acompanho muito. Não tenho essa de vislumbrar somente os clássicos. Tem muita série atual que me marcou bastante, como Ultraman Nexus, por exemplo. Ao assistir o episódio final, senti a mesma emoção que na época que vi o último e dramático episódio de Robô Gigante. Eu até concordo que ultimamente as séries perderam a criatividade, mais especificamente com relação aos Super Sentais, mesmo assim existem algumas que se destacam como Bima Satria Garuda (que é da Indonésia), que me chamou a atenção pela história dinâmica e um bom visual.

Taty - Sabemos que as séries de tokusatsu encantam não só pelas suas roupas bonitas, coloridas, brilhantes, pelos seus veículos fantásticos, futuristas, ou ainda pelos seus personagens cativantes, mas também pelos valores que elas passam. Para você qual a série que representa melhor:
AMOR – Cybercop (aquele lance da Tomoko largar tudo e ir com Takeda/Júpiter para o futuro, achei bacana). Podia citar também Maskman por conta daquele amor impossível de Takeo com a Princesa Ian.
AMIZADE – Tem um episódio de Cybercop que me marcou na época, quando o Ryoichi/Saturno (um personagem tipicamente brincalhão e mulherengo) se arrisca e enfrenta Lúcifer no lugar de Takeda/Júpiter. Ali é uma prova de grande amizade.
UNIÃO – Jiraiya e Magiranger (no caso, me refiro à união familiar).
COMPANHEIRISMO – Changeman
SUPERAÇÃO – Flashman (especialmente nos últimos episódios).
Jorge no stand do MEGA HERO no Bon Odori 2013

Taty - Atualmente, muitos tokufãs se unem em prol do tokusatsu, para que a chama não se apague. Unem-se em volta de diversos projetos que divulguem a temática. Você é um dos membros do Grupo Toku Bahia, hoje conhecido como Mega Hero. Conte-nos um pouco como conheceu o grupo.
Hakaider -
Começou quando eu fui ao Anibahia 2011 assistir ao show de Takayuki Miyauchi. Nunca havia participado de eventos ligados à cultura otaku, por conta de até aquele momento não ter nada voltado para tokusatsus, como estandes ou salas temáticas. Quando cheguei neste evento em questão, me deparei com uma sala pequena cujo na porta havia um pequeno cartaz impresso em folha A4 com o Ultraman Zero. Chamou-me a atenção e decidi entrar. Era a sala do Toku Bahia, na qual estavam fazendo exibições de tokusatsu. Lá, conheci Raphael Maiffre que era o organizador. Eu estava usando uma camisa pintada por Faby do com a logomarca do Kamen Rider BLACK. Só lembro-me de Raphael no final do primeiro dia chegando para mim e pedindo meu contato telefônico. A partir daí ele me chamou para fazer parte do Toku Bahia. Ele percebeu que eu tinha um conhecimento razoável em tokusatsus, então acabei aceitando entrar no grupo e estou até hoje lá. Em 2013 o Toku Bahia mudou para Mega Hero e passamos a abordar outros assuntos, como quadrinhos, cinema, mangás, animes, entre outros, além de somente tokusastsus. Aproveito a ocasião para citar todos os amigos e membros que trabalham em prol do nosso grupo além de mim e Raphael: Ana Luíza, Breno scafura, Francisco Moraes, Leonardo Souza, André Souza, Eduardo Bélico e Alexandre Teixeira. Tenho todos eles como uma grande família e nossa união, mais a vontade de trazer ao público projetos interessantes sobre vários assuntos é que tornou o Mega Hero tão conhecido no Brasil.

Taty - E atualmente, qual o seu papel dentro do Grupo? Comente a respeito.
Hakaider - Como membro, participo de eventos organizados pelo grupo e ajudo no nosso estande em outros eventos como o Anipólitan ou o Bon Odori.

Taty - Se as séries de tokusatsu pudessem voltar a serem exibidas na TV aberta aqui no Brasil, mencione cinco séries inéditas que deveriam ser exibidas.
Hakaider - Ultraman Nexus, Kamen Rider Kuuga, Kamen Rider Agito, GARO e Jetman.

Taty - Bom, quero agradecer imensamente pelo apoio incondicional dado por você ao Tatisatsu e dizer-lhe que estou muito feliz por esse momento. Que mensagem você gostaria de deixar para os tokufãs, que assim como eu e você tenta a todo custo manter a chama do Tokusatsu sempre viva?
Hakaider - Quero agradecer a Tatisatsu pela oportunidade. Saiba que você uma pessoa que respeito muito e sempre terá meu apoio incondicional. É com grande prazer que faço isso.

E dizer aos amigos fãs de tokusatsus que se UNAM mais. Tenho visto na tokunet muitas brigas por bobagem, tipo se fulano curte um personagem de série Super Sentai e cicrano não gosta, acabam discutindo por conta disso. Uma grande besteira! Cada um tem o direito de expressar suas opiniões, desde que esta não ofenda ninguém, é válida. Vejo também muitas discussões acirradas por conta de Power Rangers (que eu considero sim tokusatsu e gosto). Gente que não suporta a franquia começa a bater boca, e pior, ofender quem gosta. Isso é muito triste e vai totalmente de contra a tudo o que os tokusatsus ensinam para a gente. Por isso eu reforço, se unam mais! Se vocês amam tokusatsus, abracem a causa, respeitando o próximo, divulgando as séries, socializando mais com pessoas que não conhecem o gênero, especialmente os mais jovens, mas não só com séries antigas, principalmente com as novas, afinal não podemos esquecer que eles estão na época deles e não podemos “empurrar goela abaixo” a nossa época. Enfim, é isso, obrigado a todos. 

Nayana Cosplayer - Bahia - FanPage

Artes em Biscuit e Camisas - FanPage

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4 comentários:

  1. Grande Hakkaider e outra bela entrevista

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  2. Querida Taty, venho mais uma vez lhe agradecer pelo convite, saiba que me senti honrado. Parabéns pelos 04 anos do Blog Tatisatsu, que você conquiste ainda mais fãs carinhosos! ^_^

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  3. Entrevista extremamente coerente e boa de se ler

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  4. Tem novidades em meu blog, se quiser, pode conferir.

    http://renatacaline.blogspot.com.br/

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