quinta-feira, 13 de novembro de 2014

"Assim como Gentaro (Fourze), estou na busca de verdadeiros amigos e nunca nada vai me derrubar". - Raphael Maiffre

Que a força esteja conosco! SEMPRE!
O meu entrevistado de hoje é o meu amigo Rapahel Maiffre, que também é conhecido pelo apelido de Tommy Oliver, o meu primeiro contato virtual com ele foi no início do Toku Bahia, projeto esse que apoiei de coração aberto. Nessa época também eu ainda morava na Bahia, mas infelizmente não cheguei a conhecê-lo pessoalmente. Só fui conhecê-lo, de fato em setembro de 2013, quando decidi ir ao Bon Odori, em Salvador – momento único – além dele, conheci também a Equipe do Toku Bahia/Mega Hero.

Ao lado do amigo no Bon Odori (2013) - SSA-BA
Costumo dizer que somos amigos acima de qualquer situação, porque mesmo não concordando em alguns pontos, ou seja, mesmo divergindo em algumas ideias ligadas às séries, porém o que não nos falta é respeito mútuo e admiração. Aprendi muito com ele e sinto que continuo aprendendo! E sinceramente, espero vê-lo crescendo a cada ano mais e mais, dessa forma desejo que seus projetos ganhem vida, dando lugar a novos projetos! Meus caros amigos... Com vocês, Raphael Maiffre!

Taty – Raphael, podemos dizer que você representa a nova geração de tokufãs. Compartilhe conosco de que forma você conheceu os seriados de tokusatsu, quantos anos tinha e, como esse contato transformou a sua vida de alguma forma?

Raphael – Primeiramente quero agradecer pelo convite do Tatisatsu e parabenizar a criadora pelo projeto que está completando mais um ano de vida. Eu conheci o universo Tokusatsu ainda muito novo, o primeiro seriado que tive oportunidade de assistir foi “Winspector” e logo em seguida “Solbrain”, eu era muito novo, mas me lembro de ambas as séries com muitos detalhes, guardo até hoje o boneco do SolBraver, sem braço, mas guardo (risos). A paixão começou a crescer e eu fui procurar algo semelhante e foi ai que conheci Power Rangers e mais tarde Jaspion e os outros que haviam passado aqui no Brasil. Mas minha paixão ficou com Ultraman Tiga. Esse contato foi crucial para que moldasse a minha paixão pelo gênero e eu carrego até hoje os ensinamentos e memórias dessas séries.

Taty – Desse primeiro contato para os dias de hoje, o que mudou na sua percepção, ao assistir as séries? Por quê?

Raphael – Hoje eu assisto um Tokusatsu com um olhar mais crítico e procuro “dissecar” a série para saber exatamente o que ela quer transmitir para o seu público e o que pode acrescentar na minha forma de pensar. É uma espécie de pesquisa minha e que me divirto fazendo. De vez em quando pego algumas que eu assisti quando era mais novo para ter outro olhar. Sempre digo toda vez que você assistir um mesmo Tokusatsu, vai encontrar coisas que não tinha visto anteriormente. A nostalgia às vezes faz você não enxergar certas coisas dentro de um determinado produto, por isso eu acho legal fazer esse “recap”.

Raphael ao lado de Breno no ExpoGeek 2014
Taty – Em outubro de 2011, você e o Leonardo Cruz davam um passo muito importante para o cenário que traz como eixo norteador o tokusatsu, no estado da Bahia, estreava na internet o blog que rapidamente transformou-se em site, o Toku Bahia. Vocês partiram do micro (estado da Bahia) para atingir o macro (o Brasil e consequentemente, ganhar espaço até internacionalmente), na época o objetivo era exatamente esse ou o cenário foi mudando conforme o Toku Bahia ganhava mais espaço?

Raphael – Nossa (risos), sendo sincero? Eu não esperava essa repercussão toda. O Toku Bahia foi um teste um pouco arriscado. Em 2010 eu tinha feito uma sala sobre vampiros no Anibahia, aproveitando o “boom” dos filmes e das séries que surgiram, eu aproveitei e coloquei dentro da programação, um episódio de “Kamen Rider Kiva”. A sala encheu bastante e eu pensei: Poxa, ano que vem eu posso montar uma sala de Tokusatsu, será que dá certo?

O resultado foi bastante positivo, o grupo Toku Bahia surgiu exatamente no dia do Anibahia do ano seguinte e alguns membros da primeira formação estão comigo até hoje, é muito gratificante pra mim. Eu fiquei ainda mais satisfeito porque o material que eu trouxe para ser exibido (Gokaiger, Kamen Rider OOO, Kabuto, Ultraman Zero, etc) atraiu o olhar de um público novo e que se mostrou apto a conhecer o universo. A partir do Anibahia, sentei com os membros do grupo e montamos um projeto de exibições em uma sala de cinema aqui em Salvador e o Toku Bahia cresceu ainda mais, por isso nos eventos seguintes passamos a incluir palestras, debates, brincadeiras para que o projeto ficasse mais sólido e atraísse mais pessoas, e foi assim até ser o que é hoje.

Taty – No ano passado (2013) houve a mudança para ampliar o foco, eis que tivemos a evolução para MEGA HERO, a página expandiu. Como partiu a ideia de abraçar a cultura pop como o todo, mas mantendo o Tokusatsu como o carro-chefe?

Raphael – Acredite, essa foi uma mudança difícil e feita com bastante calma. A mudança de conteúdo ou como costumo chamar de “ampliação de conteúdo” foi uma medida que usamos para que o site continuasse a crescer e pudéssemos atingir mais pessoas ainda. Como o grupo tinha muito membro que conhecia as mais diversas áreas da cultura pop, decidimos englobar e criar um site com uma cara mais nerd só que com a cara do Toku Bahia. O conteúdo Tokusatsu ainda está lá e para fortalecer ele e não deixar de lado nunca (que é a nossa maior premissa), começamos a fazer mais eventos voltados para o gênero e criamos o “Dia do Tokusatsu”.


Taty – Hoje, além do Mega Hero você administra também o Mega Power Brasil, uma página dedicada exclusivamente aos Power Rangers. Por que você sentiu a necessidade de criar essa página exclusiva já que você já inseria as matérias sobre Power Rangers dentro do Toku Bahia e agora com o Mega Hero?

Raphael – O Mega Power Brasil não era par ser o que é hoje. O site era apenas um blog que funcionava dentro do Toku Bahia e que foi criado apenas para comemorar os 20 anos de Power Rangers com a chegada de “Megaforce”. O problema (risos) é que a página cresceu muito e o público que abraçou o “Mega Power” estava muito carente de um site exclusivo para a franquia. Nós sentamos e discutimos que iriamos manter ele e que toda notícia de Power Rangers seria postada exclusivamente por lá, não mais no Mega Hero.

Taty – Fazer parte da Tokunet nunca foi tarefa muito fácil, as divergências de opiniões geram alguns conflitos desnecessários, em alguns momentos já pensei em desistir e até me afastar, mas o “amor” ao tokusatsu sempre fala mais alto e os amigos, assim como você, sempre me apoiam e transmitem uma energia fantástica. E você, algum momento já sentiu essa vontade? Qual é o seu porto-seguro na Tokunet?

Raphael – Desistir por desistir nunca. A Tokunet apesar de ter seus problemas, como qualquer fandom seja ele de quadrinhos, séries, filmes, tem um lado positivo, muito positivo por sinal. O que me fez continuar com os projetos do Mega Hero foram os fãs e as amizades que construí ao longo desses três anos. A variável que eu mais sigo do universo Tokusatsu é a amizade, dou muito valor a ela e muitos deviam segui-la. O Tatisatsu foi um dos sites que mais apoiou o meu trabalho no início e eu precisava retribuir mostrando serviço e dedicação. Tive o apoio do Senpuu, do Tokufriends no comecinho e nossa, eu me senti abraçado, não posso reclamar. Hoje a força que me dá mais energia é a minha companheira, sem ela algumas coisas não teriam se desenrolado.

Taty – Por pouco mais de um ano você apresentou o programa Centro de Comando, na extinta Rádio Tokusatsu, administrada pelo grupo Tokusatsu.com.br, fale-nos como foi vivenciar tal experiência.

Raphael – Porque tocou nesse assunto? (risos) Morro de saudades do ”Centro de Comando”. Esse programa realmente mudou minha vida dentro da Tokunet, conheci tanta gente nova e pude transmitir a minha paixão de Tokusatsu junto com outro hobby meu que é ser DJ. Já pedi algumas vezes para o pessoal da rádio voltar, quero minha Quarta-Feira animada de volta! Torço pelo retorno e estarei disposto para participar novamente do projeto.

Jaspion - a série clássica
Taty – Voltando a falar das séries de Tokusatsu, pensando em iniciar as crianças de hoje ao universo tokusatsu, qual série clássica você acredita ser perfeita para essa apresentação inicial? Por quê? E das séries atuais, qual recomendaria?

Raphael – Das clássicas eu recomendaria Jaspion. Além da facilidade de estar dublada para a criançada, o fantástico herói é uma série atemporal e que traz temas que são recorrentes das séries atuais, só que de uma forma mais simplificada e divertida de assistir. Sem contar que pode ser comprada e a criança pode rever quantas vezes quiser.

Das mais atuais eu recomendaria Fourze e Ultraman Ginga, exatamente por serem séries que se preocupam em passar mensagens em cada episódio, Ultraman Ginga ainda é mais explicito. Fourze ensina a valorizar as amizades e respeitar o próximo. E uma criança assistindo e crescendo com ela, futuramente pode participar da Tokunet com um caráter moldado em fortes e bons princípios.

Taty – Se você fosse um produtor de TV influente e quisesse exibir tokusatsu nas TVs abertas aqui do Brasil, qual seria o(s) melhor(es) dia(s), horário e por quais franquia teria preferência? E pensando nisso, você acredita que isso teria alguma chance de acontecer, alguém voltar a se interessar a exibir tokusatsu inédito aqui no Brasil?

Raphael – Hoje, a maior parte desses consumidores se encontram na internet baixando suas séries favoritas. Como um produtor de TV eu investiria em um canal online, similar ao Netflix e ao Hulu e que rodasse nas mais diversas plataformas como Tablets, celulares, videogames, etc. A geração de hoje quer praticidade e estão conectados praticamente o dia inteiro. Você ter um seriado a um clique de distância é uma ideia e tanto.

Se alguma dessas séries fizesse um relativo sucesso dentro dessa plataforma, poderia trazer para um canal fechado e logo em seguida em um canal aberto, mas com muita cautela.

Taty – Hoje em dia nem Power Rangers costuma a chamar muita atenção das crianças brasileiras. O que você pensa que está acontecendo com essa geração atual?

Raphael – A criança que tem acesso hoje a um Power Ranger ou Kamen Rider, é a mesma que tem acesso a um Capitão América e um Homem-Aranha. Hoje o mercado ocidental de super-heróis tem investido bastante no composto de divulgação e criação dos seus produtos: Filmes, desenhos, revistas, eles realmente investem... E o alcance deles não se limita ao ocidente. O Tokusatsu apesar de ser um produto com fortes características orientais é facilmente vendável para os ocidentais. Acho que falta um pouco de visão das produtoras para expandir seus produtos de séries em Live-Action.  Os mangás, animes tem grande resposta aqui, com Tokusatsus poderia acontecer o mesmo. Eles precisam arriscar.

A Saban já percebeu isso e fez parceria com a Lionsgate para lançar um filme em 2016. A Toei poderia estar fazendo isso com Kamen Rider, eu seria o primeiro da fila para comprar um ingresso.

Taty – Por trabalhar na área de educação ouço muito o discurso que as crianças de hoje não sabem o que são valores, algo que deveria ser ensinado pela família acaba se tornando uma responsabilidade da escola. Contudo, se a base familiar não der continuidade a esse trabalho de nada adianta. Sempre comentei com alguns amigos que as séries de tokusatsu ensinam valores de uma forma bem lúdica e dinâmica, pena que algumas mentes “toscas” não pensam assim e consideram essas séries violentas e inadequadas para crianças. O que você me diz sobre isso?

Raphael – Foi o que eu comentei anteriormente, tem que saber prestar atenção nas séries. Quem quer enxergar violência, sempre vai enxergar violência, isso é uma questão de pensamento e às vezes é difícil de mudar esse tipo de conduta. O Tokusatsu nunca vai substituir uma família (óbvio), mas é muito ingênuo achar que os seriados só dão ênfase a lutas e “destruição de pedreiras”, muito dos ensinamentos que estão ali são fantásticos e precisam ser valorizados.

Gentaro Kisaragi (Kamen Rider Fourze)
Taty – Falando um pouco do tokufã Raphael, com qual personagem de tokusatsu você mais se identifica e por quê?

Raphael – Nossa! Você me pegou (risos), me identifico com vários. Mas um que tem a minha cara é o Gentaro Kisaragi (Fourze), assim como ele, estou na busca de verdadeiros amigos e nunca nada vai me derrubar. Acho que todo mundo deveria ter um pouco do Gentaro.

Taty – Qual a sua expressão ou frase de efeito preferido e de qual série ela pertence? Comente o motivo da sua escolha.

Raphael – Vovó costumava dizer (risos). Acho as citações da avó de Tendou Souji em Kabuto excelentes, é difícil de escolher uma, mas irei escolher: “Aquele que pode mudar a si mesmo pode mudar o mundo, esse é o caminho do céu”.

Não espere que os outros mudem, a mudança deve partir de você.

Taty – Complete as seguintes frases:

SER TOKUFÃ É NUNCA TER... Ódio no coração.

A TOKUNET PRA MIM É... Um lugar de encontrar amigos e voltar à infância.

O TOKUSATSU SE TORNOU... Meu estilo de vida.

GOSTO DAS SÉRIES DE POWER RANGERS PORQUE... Elas me divertem e passam as mensagens importantes do universo Tokusatsu.


Taty – Raphael, muito obrigada por tudo sempre. Por sua amizade e respeito sempre. Por favor, suas considerações finais.

Raphael – Eu que agradeço o espaço. Fiquei muito feliz com o convite e com as entrevistas que já foram ao ar, todas serviram para refletir o momento atual da Tokunet e é claro o particular de cada um. Vida longa ao Tatisatsu e principalmente a você Taty, seu trabalho é singular e merece sempre ser valorizado.


E para os tokufãs que estão lendo essa entrevista. Nunca desistam dos seus sonhos e das suas ideias, e carreguem os ensinamentos dos Tokusatsus não só no bolso como também na sua vida.



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3 comentários:

  1. Grande Maiffre, entrevista bem bacana e gostosa de se ler. E agora temos que iniciar o projeto Maiffre com cosplay de Gentaro no AF 2015

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  2. Segura o Home... que ele tá arretado ^_^
    Taty- Hime vc só está entrevistando feras nessas comemorações heim?
    E Foi por seu intermédio que eu conheci esse grande amigo cabra-da-peste ai (risos)
    O Maiffre vem conquistando um bom espaço na tokunet.tenho profunda admiração por esse baixinho morfador aí. parabéns!

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  3. Curti Bastante a Matéria!
    Maiffre parece ser um grande sujeito e conhecedor de Tokusatsu!
    Mais um Acerto ai de vc,, Taty! Ta Muito Boa as matérias!Bons convidados!!

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