segunda-feira, 17 de novembro de 2014

"Mais que um gênero de heróis japoneses, o tokusatsu é uma escola da vida. Histórias carregadas de amizade, respeito, humildade, companheirismo, união, compreensão, perseverança e vitória." - César Filho

César Filho, blogueiro e radialista
Dando continuidade à nossa maratona de entrevistas com alguns tokufãs que de alguma forma atuam no universo tokusatsu, tendo como ferramenta principal a tokunet. Na entrevista de hoje vocês conhecerão um pouco melhor o blogueiro César Filho, responsável pelo Blog DAILEON.

Espero que curtam essa entrevista tanto quanto eu! Gostei muito das respostas e experiências aqui compartilhadas! Cada vez mais acredito que devemos expandir nossos laços de amizade e conhecer melhor aquelas pessoas que de alguma forma apresentam gostos ou preferências semelhantes com os nossos de alguma forma. Dessa forma aprendemos mais e de uma forma bem dinâmica e divertida interagimos.
Taty - Preciso agradecer a você César Filho, pelo respeito e admiração que tem por mim e meu Blog. Sinto-me muito lisonjeada. Mas, para que eu possa iniciar esta entrevista gostaria que você pudesse apresentar-se para os leitores do Blog Tatisatsu.

César Filho – Olá, Taty-senpai. Eu é que agradeço pelo convite de entrevista e quero parabenizá-la pelos 4 anos do Blog Tatisatsu, que sempre acompanho. Sou radialista. Em maio de 2009 eu começava a participar do Fórum Tokubrasil, assumindo o codinome (nick) Top Gunder. Desde setembro de 2010 eu faço parte do Grupo Henshin Gattai, formado por fãs de tokusatsu aqui em Fortaleza-CE. E desde agosto de 2013 venho tocando o Blog DAILEON, um espaço onde escrevo sobre tokusatsu, animes e outras coisas relacionadas à cultura pop em geral.


Taty - Quantos anos você tinha quando começou a acompanhar as séries de tokusatsu e qual foi a primeira série que conseguiu acompanhar e se envolver com a trama?

César Filho – Então, Taty. Pode parecer brincadeira, mas tenho a lembrança de ter visto o meu primeiro tokusatsu por volta dos meus dois ou três anos de idade. (!) Isso entre 1987 e 1988. Minha lembrança era de ter visto o episódio 4 de Jaspion em fita de VHS, antes da série estrear junto com Changeman na saudosíssima Rede Manchete. Passei a me envolver mesmo assistindo estas séries na TV. Minha mãe me deixava assistir estes tokusatsus desde pequeno. E sempre que ela podia, ela estava do lado assistindo comigo. Até hoje é assim. E foi assim com as demais séries que foram chegando ao Brasil, naquela era de ouro dos tokusatsus. Apaixonei-me pelos heróis japoneses e assistia sem enjoar das reprises.


Taty - Hoje em dia você é um tokufã completamente envolvido com o universo tokusatsu é membro do grupo Henshin Gattai, participa do Fórum TokuBrasil e administra o Blog DAILEON. Como você decidiu que deveria participar ativamente desse universo tão fantástico e o que o motiva a seguir adiante dia após dia?

César Filho – Isso foi acontecendo aos poucos. Eu sempre gostei destas séries e teve um tempo que eu estava apenas acompanhando as notícias na internet. Isso há uns 10 anos atrás. Voltei a acompanhar os tokusatsus com mais frequência revendo as séries antigas, conhecendo as novas e frequentando os eventos de cultura pop japonesa. Até que eu decidi me tornar membro do Fórum Tokubrasil. Antes eu apenas lia os tópicos e vi que poderia interagir também com outras pessoas que tem o mesmo gosto que eu. O que é bem difícil hoje em dia de se encontrar pessoalmente quanto ao tokusatsu. Conheci pessoas bacanas através do fórum, inclusive dois daqui de Fortaleza (Kapan e Yousuke Shiina). Ultimamente não tenho frequentado tanto a Tokubrasil, mas pretendo voltar logo e quero estreitar novos laços de amizade. Meu primeiro contato com a Henshin Gattai foi através do extinto Orkut. Participava da comunidade do SANA Tokusatsu (setor de exibição de tokusatsu do evento SANA) e alguns de meus amigos da HG também interagiam nas postagens assim como eu. Até que eu conheci pessoalmente o estimado amigo Diego “Black” Pontes no SANA 2010 e ao final do terceiro dia da edição ele me fez um convite para ir aos encontros do grupo. Demorei uns dois meses pra aparecer pela primeira vez, pois os encontros são aos sábados e na época eu acompanhava o Kamen Rider W em tempo real com o Japão. Deixei para conhecer o grupo após o segundo episódio de Kamen Rider OOO. E o que me motiva a seguir é a vontade de escrever, opinar e divulgar este maravilhoso universo.


Membros - Henshin Gattai
Taty - Fale-nos um pouco do seu trabalho no Grupo Henshin Gattai.

César Filho – Quando entrei na Henshin Gattai nós éramos apenas um público que fazia mais em unidade: apoiar o tokusatsu em eventos de anime e procurar divulgar/convidar cada amigo que fazíamos. Além de termos a paixão pelo tokusatsu, que é o nosso carro-chefe, também temos em comum gostos por cinema, HQs, games, música e anime (temos uma paixão em especial pelos Cavaleiros do Zodíaco). Hoje estamos mais ativos e trabalhamos nos eventos, através de salas temáticas e palestras. Começamos estas atividades em 2013 com o apoio de Marcus Henrique e Herick Holanda, respectivamente diretor e vice-diretor de coordenação do SANA Tokusatsu, aos quais somos eternamente gratos. A iniciativa se deu pela décima edição do setor no SANA. Eu, Diego Pontes e Thiago “Red” Gonçalves (este último é um dos membros-fundadores da HG) fomos os primeiros palestrantes e trabalhamos muito para algo que até então não existia nos eventos locais de cultura pop japonesa. O resultado foi acima do ótimo. O público interagiu e atraímos a atenção dos mais novos, que tem apenas os Power Rangers como referência ao gênero. Neste ano, em comemoração aos 20 anos de Cavaleiros do Zodíaco no Brasil, apresentamos três palestras dedicadas ao anime. Respectivamente no SANA Fest 2014 (fevereiro), Anime Master Edição Especial (junho) e SANA 2014 (julho). Estamos abertos para demais eventos e focando mais sobre Tokusatsu, Cavaleiros e nostalgia.


Edição nº 1 - Revista Gyodai
Taty - Como surgiu a ideia de criar o Blog DAILEON? Qual a fonte de inspiração?

César Filho – Humm... Você foi uma das minhas fontes de inspiração. (risos) Bem, eu tinha uma ideia de criar um blog há bastante tempo. Pra falar a verdade, eu até tinha vontade de ser jornalista um dia, lendo sites como a Herói, a Omelete, a extinta Ohayo!, etc. Fora alguns blogs. O tempo passou e me mostrou novos horizontes pra seguir profissionalmente e aprendi que poderia participar do meio, independente de ser ou não jornalista. Eu demorei pra criar um blog por medo de não dar certo. Minha irmã sabia da ideia e tentava me convencer a tentar. Deixei de lado essa ideia e até que numa noite de julho de 2013 eu estava lendo a edição única da Revista Gyodai, que meu amigo Joaquim Vlauber (vice-líder da Henshin Gattai) havia me emprestado para ler. Taty, ao ler aquelas entrevistas e matérias especiais feitas com carinho e dedicação eu pensei o seguinte: “Poxa, eu poderia falar também sobre essas coisas”. Foi daí que minha ideia de criar um blog voltou com força total e as ideias foram fluindo. Na mesma noite eu decidi o nome. Tinha alguns nomes bem toscos na mente como “Multipop”, “Cultipop” e vi que não iria colar de jeito nenhum. Precisava de um nome forte como referência. Foi como um flash na minha cabeça que ecoou o nome: Blog DAILEON. Vi que soava bem em dizer e fui na mesma onda da Gyodai, que tinha se inspirado no arrimo dos Gôzma e criei o blog em homenagem ao arrimo do Jaspion. (risos) Queria diversificar e não apenas falar sobre tokusatsu. Escrevo também sobre animes, séries americanas, cinema, nostalgia e até um pouco do subparalelo à nossa cultura pop nerd/otaku. Lá eu falo sobre as coisas que eu gosto e às vezes até sobre o que eu não gosto relacionado a estes nichos. O Blog DAILEON é um pouco de tudo. Tem matérias especiais, tem resenhas, tem notícias, tem críticas, tem opinião, tem retrô... Isso graças aos ícones que sempre acompanhei na internet e que me inspiraram a também escrever. E escrever sempre foi uma das coisas que mais gostei de fazer na vida. Hoje eu vejo que entrei na hora certa e fico feliz com o resultado e pelos acessos diários. A matéria que eu mais gostei de fazer foi sobre o Zyuranger, que levei três dias pra escrever e postei ainda nos primeiros dias do blog assim que tinha acabado de terminar de assistir. Outro trabalho que fiz e que me surpreendi com os resultados foi uma recente entrevista que fiz com o primeiro cantor brasileiro de Cavaleiros do Zodíaco, o William da dupla Larissa e William, que estava sumido da mídia há quase duas décadas.


Top Gunder com Metalder
Taty - Qual o motivo de ter escolhido Top Gunder como apelido no Fórum TokuBrasil? Admiração ao personagem? Comente.

César Filho – Com certeza. Na realidade, eu não sabia que apelido eu iria adotar. Ao escolher, lembrei-me do Top Gunder, que é um dos personagens de tokusatsu que mais admiro e que também me identifico. Admiro-o mais pela lealdade que ele tinha ao Metalder e também por honrar segredos, mesmo daqueles de quem ele se tornaria desertor. Sem dúvidas, um personagem marcante.


Taty - Em sua opinião, por que as séries clássicas (como Jaspion, Changeman, Kamen Rider Black, entre outras) costumam ter fãs mais fervorosos que costumam a ter pavor das produções após o ano 2000?

César Filho – As séries clássicas tem uma sinergia incrível que empolga a quem assiste atentamente. Dá aquela vontade de assistir por várias vezes. Acredito que esse pavor todo se deve a uma nostalgia excessiva. As tendências e conceitos de tokusatsu mudaram com a virada do século. Não que as séries atuais sejam ruins. Muito pelo contrário, tem muita coisa boa passando e que já passaram e outras nem tanto. Alguns julgam as séries atuais sem ao menos analisar e acompanhar pra dizer se realmente o programa surpreende ou decepciona numa determinada visão pessoal. Lá no blog eu também faço comentários rápidos sobre um determinado episódio/cena/personagem que me chama mais atenção ou que tenha destaque e faço um balanço apresentando pontos positivos e negativos. O que falta para os saudosistas é um senso crítico mais apurado. Já vi muita gente falar mal de uma série nova/recente que viu apenas o começo da série e pulou uns trinta episódios e perdeu todo o desenrolar da trama e acha que viu tudo. E daí surgem aquelas exaltações exageradas às séries mais antigas. Principalmente da Geração Manchete. E acabam esquecendo que alguma série antiga pode também haver um furo que pode ter comprometido a história ou não. Um giro de 360 graus em cada produção é essencial nessas horas.


Taty - Das séries exibidas aqui no Brasil entre as décadas de 80 e 90, quais são as suas preferidas e por quê?

César Filho – Gosto mais daquelas que tem uma alta carga dramática como Flashman, Maskman, Metalder, Kamen Rider Black, Cybercop e Ultraman Tiga. Estas servem como referência para mostrar aos leigos que tokusatsu pode ir muito além de uma aparência de um “programa infantil”.


Taty - E das séries produzidas após o ano 2000, quais são as 5 que você mais curtiu e porquê?

César Filho – 1) Kamen Rider Kuuga, pelo enredo se aproximar muito de dramas pessoais e ser inovadora de seu tempo; 2) Kamen Rider W, pelo carisma dos personagens e uma história cheia de pontas ligadas com perfeição; 3) Shinkenger, por resgatar a essência das séries dos anos 80 e manter identidade própria; 4) Gokaiger, por ter sido uma série maravilhosa e que soube bem homenagear os Super Sentais; 5) Go-Busters, por ter me surpreendido do meio até o final de uma série que começou interessante, ficou com histórias lentas, e mais tarde dominou a trama com emoção. Estas séries me deixaram saudades quando as finalizei.


Red Hawk
Taty - Se você pudesse criar um esquadrão de guerreiros inédito, mas com personagens conhecidos do universo tokusatsu, quais seriam esses guerreiros (fale um pouco sobre sua escolha) e como se chamaria o esse esquadrão?

César Filho – Wow! Mais que missão, hein, Dona Taty. (risos) Vamos lá. Acho que escolheria um de cada gênero. Red Hawk (Jetman) na liderança e representando aquele que foi o melhor Super Sentai da história; O segundo do comando seria o Kamen Rider Black, um dos mais aclamados Riders de todos os tempos; Gavan Type G, como um jovem aprendiz do grupo; Ultraman Tiga, também representando um destaque de outro gênero; e Patrine como uma Onna Senshi do grupo. O nome? Poderia ser Tamashi Heroes.


Taty - Qual o significado do Tokusatsu em sua vida?

César Filho – Mais que um gênero de heróis japoneses, o tokusatsu é uma escola da vida. Histórias carregadas de amizade, respeito, humildade, companheirismo, união, compreensão, perseverança e vitória. Todos que se consideram tokufãs devem seguir estas bases, por mais difícil que venham a serem as circunstâncias e diferenças.


Taty - Que mensagem gostaria de deixar para os leitores do Blog Tatisatsu?


César Filho – Primeiramente, quero agradecer mais uma vez a você pela oportunidade e te desejo bastante sucesso como uma representante feminina de tokufãs. Dizer que acompanhem e divulguem o Blog DAILEON e interajam, deixem seus comentários. Suas opiniões são muito importantes para papearmos e trocarmos ideias. E claro, não deixem de acompanhar o Blog Tatisatsu, crianças. (risos) Procurem conhecer a Henshin Gattai através do nosso grupo do Facebook (Henshin Gattai (Tokusatsu)) e assistam nossas palestras nos eventos por Fortaleza afora. Curtam tokusatsu pra valer. Independente de época ou efeito especial, permitam-se descobrir novas e antigas séries do gênero. E o mais importante: a união e respeito dos tokufãs é uma conquista que temos que alcançar com o aprendizado que Jaspion e cia deixaram para antigas e novas gerações. Um grande abraço a todos e Deus os abençoe.

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2 comentários:

  1. Uma das entrevistas mais legais de ler até agora parabens aos 2 =D

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  2. Tem novidadesb em meu blog, passa lá.

    http://renatacaline.blogspot.com.br/

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