sábado, 21 de março de 2015

Primeira parte da entrevista com Goggle Red, "... valorizo muito a atividade de outros tokufãs antes de dispensar esmero à minha própria atividade".

Bem seguro de suas convicções, conheçam melhor o Goggle Red
Todo final de semana uma nova entrevista, olha que legal! Bom, espero manter já que agora solicitei a instalação de uma internet via rádio, vamos ver se recupero a minha vida virtual e mantenho o Blog “melhor alimentado”, além, claro, de atualizar com mais frequência. Então, amigos e leitores do Blog Tatisatsu cruzem os dedos e me desejem boa sorte! A boa da vez é a entrevista com o meu amigo e parceiro, Mr. Goggle Red, sua identidade é guardada a sete chaves, mas olha que inédito consegui uma foto dele sem capacete (risos) e, o que podemos perceber é que em seu semblante pensativo reflete seu espírito indagador e analítico. Suas respostas foram tão bem elaboradas e concatenadas com um sentimento de quem faz tudo com total envolvimento que acabei por tomar uma decisão, a entrevista dele será dividida em duas partes.

Fiquem agora com a primeira parte de uma entrevista envolvente e estimuladora, acredito que alguns tokufãs poderão identificar-se com essa pessoa sensível, determinada e perfeccionista, outros nem tanto, mas o importante é ler e compreender o seu ponto de vista. Ele argumenta muito bem e tem uma visão bem interessante diante de alguns aspectos, como por exemplo o uso das novas tecnologias nas produções de tokusatsu. Boa leitura!
Taty - Antes de iniciarmos com o nosso bate-papo, permita-me agradecer por sua nobre paciência, afinal de contas acredito que desde que eu o convidei você aguardava por esse momento, contudo precisei demorar muito mais do que o esperado. Mas, vamos lá... Obrigada por aguardar tanto e ainda mais por aceitar fazer parte do rol dos entrevistados para o Blog Tatisatsu.
Goggle Red – Oi, Taty-hime, eu que agradeço por esta oportunidade. Independente do quanto eu tenha esperado por isso, é a primeira vez que tocamos um projeto juntos – fazendo valer, na prática, o título de parceiros que já temos há quase três anos – e é muito bom saber que eu também posso fazer parte desta sua seleção de colegas, todos com algo a dizer sobre tokusatsu. Espero poder responder todas as perguntas sem deixar qualquer lacuna em aberto. Estou confiante de que vamos fazer um trabalho bem legal. Vamos lá.

Taty – Quando e como foi o seu primeiro contato com os seriados japoneses?
Goggle Red – Meu primeiro contato com os tokusatsus aconteceu da maneira que, para mim e para muitos tokufãs, se sobressai hoje como a mais memorável: fazendo parte da mágica Geração Manchete. Final dos anos 80, começo dos anos 90. Eu adoraria te dar aqui dia, mês e ano – até ficaria contente se pudesse te afirmar, com certeza, apenas o ano. Mas memória de criança é muito traiçoeira. Acredito que era 1989, 1990, quando Jaspion se revelou para mim como uma forma de entretenimento diferenciada, que logo depois me faria experimentar uma emoção idem. Todas essas coisas fazem com que, ainda hoje, eu sinta muito orgulho em ter podido fazer parte daquela geração.

A equipe Goggle V reunida

Taty – A partir de que momento você passou a conhecer o termo TOKUSATSU? E como aconteceu essa descoberta?
Goggle Red – A partir de 2004, que foi quando eu passei a assistir toku pela Internet. Na época da TV, eu me referia ao Jaspion e aos outros como "seriados japoneses". A palavra "tokusatsu" só entrou no meu vocabulário a partir do momento que eu precisei dela para pesquisar novas dessas séries, em um nível global. Até lembrei agora do amigo Fernando Lemos, do Toku Hero Club, que me disse que Tokkyuger foi o primeiro tokusatsu que ele viu em tempo real com o Japão. Imagine que, para mim, foi Kamen Rider Blade! Naquele tempo só havia daqueles streamers horríveis, que travavam a cada dez segundos (risos)! Não havia uma legenda, divulgação era mínima, a gente não entendia quase nada das séries. Mesmo assim, eu assistia aquilo que conseguia. Junto com Blade, ainda vi um pouco de Dekaranger, também por streamer. Até que, lá para 2008, eu descobri os fansubs – em inglês – e passei a acompanhar tokus por eles. Aí sim, finalmente, eu podia entendê-los. A partir dali – e já adentrando por esta década – eu vi várias séries completas com legendas em inglês, como Sun Vulcan, Kamen Rider X, Megaranger. Séries que só bem recentemente foram completadas em português por aqui, mas que eu já havia visto antes mesmo de entrar em 2012. Lembro que grande parte daquele material estrangeiro era compartilhado em fóruns de outros países, que eu participava. Mas nem me recordo mais do nome daqueles fansubs, até porque eles se divulgavam muito pouco. Depois, veio aquela crise de dezembro de 2011, que fechou o MegaUpload e desencadeou uma caça aos servers. Foi bem nessa época que quase todo aquele material desapareceu, sem deixar vestígios. Através daquela crise, buscando por notícias, eu descobri os primeiros fansubs brasileiros. Já estávamos quase em 2012 e, até então, eu nem sonhava que havia possibilidade de se assistir a um toku com legenda em português. Outro dia, o amigo AntonioKS (dono da Comunidade Spielvan) me fez refletir muito sobre toda essa história, quando ele me disse que se sentia como alguém que ainda está abaixo das "sombras do Tokudrama". Já eu não sei o que é se sentir assim. Pois, enquanto o Tokudrama trabalhava em Dairanger, Kakuranger e Kamen Rider ZX, eu estava assistindo a mesma coisa com legendas em inglês, e nem sequer supunha sobre a existência deles. De certa forma, eu descobri tarde a Tokunet brasileira, mas a tempo suficiente de poder fazer parte dela. Tanto que o meu blog, Henshin World, renasceu em definitivo tão logo essa descoberta se revelou para mim como algo real, e me gratificou muito a partir de então.

Patrine, uma de suas paixões
Taty – Quais as séries que chamaram mais a sua atenção? Por quê?
Goggle Red – Até hoje? Inúmeras. Difícil citar todas sem se esquecer de alguma. Depende muito do período da minha vida. Do tempo da Manchete, Jaspion. Da época das reprises, onde fui conhecer muita série que ainda não havia tido contato, Goggle V e Machine Man deixaram-me lembranças maravilhosas e sensações indescritíveis. Após isso, outra fase muito importante na minha trajetória de tokufã foi a época em que eu decidi fazer renascer meu blog, no final de 2011. Praticamente tudo que vi nessa época me marcou positivamente, e tentar dizer esse "tudo" daria uma lista enorme. Mas alguns xodós que eu não posso deixar de citar dessa lista são os Kamen Riders X Amazon, Timeranger e Maskman. E do período um pouco mais adiante disso (e que corresponde ao "hoje", portanto), as séries toku mais substanciais para mim são Patrine, Kamen Rider Decade, Sharivan, GoGo V, Gransazer e Ultraman Ginga. Sobre o porquê dessas escolhas, seria impossível eu definir tal coisa por aqui. Eu até tenho uma opinião bem formada sobre cada uma dessas séries, assim como de muitas outras, que eu também poderia ter citado aqui, mas são opiniões muito complexas, suficientes para gerar uma resenha para cada seriado. Em linhas gerais, eu poderia te justificar essas escolhas dizendo que todos eles conseguiram se comunicar comigo de alguma maneira, corresponderam demais às minhas expectativas, permitiram que eu identificasse um pouco de mim mesmo em cada um, me preencheram e me satisfizeram com suas mensagens. Alguns talvez mais, outros talvez menos, mas todos com certa relevância.

Realmente, seu verdadeiro nome é bastante incomum
Taty – O que o levou a escolher o nickname Goggle Red?
Goggle Red – Bom, como meu nome é muito incomum – e você sabe bem disso – escolhi  esse nick principalmente pela praticidade, já que, na época, eu ainda estava buscando meu espaço na comunidade tokufã. E também pela vontade de me relacionar, de alguma forma, com a série toku que, dentre todas, foi a mais substancial para o meu lado emotivo. Pelo menos até aquele período das reprises da TV_ período esse que eu ainda compreendo como o mais intenso da minha trajetória tokufã, que eu aproveitei com maior intensidade. Conheci Goggle V exatamente na época em que eu mais queria conhecer uma série toku como aquela. E atingi com ela um nível de deslumbramento que muito provavelmente eu jamais atingirei com nenhuma outra. Digo isso com 99,9% de certeza. Lembro-me que outro fato que me impulsionou a criar esse nick aconteceu pouco depois que conheci os primeiros fansubs brasileiros de toku. Eu estava assistindo a um filme, cujos créditos davam menção a um certo "Goggle Black". Pensei: "O Black eu não posso ser mais, pois já há um na comunidade. O Yellow é meu Goggle favorito, mas é possível que, através de coisa assim, acabem pensando que eu sou gordinho", quando na verdade sou super magro! (risos) Resumidamente, foram essas coisas que me fizeram optar por tal nick.

Taty – A partir de que momento você decidiu que deveria divulgar o universo tokusatsu por meio de sua análise crítica de tokufã?
Goggle Red – Assim que eu percebi que tinha um certo volume de ideias e opiniões que, se não valessem para se compartilhar, valeriam pelo menos como um registro de minha trajetória enquanto tokufã. Pelo tamanho das minhas respostas às perguntas que estão aí, mais abaixo, já dá para se ter uma ideia do quanto eu gosto de expandir meu raciocínio quando o assunto é tokusatsu. Mas eu também acho que a paixão pela coisa é muito fundamental. Tanto que eu costumo dizer o seguinte: debater sobre tokus é bom, mas quando aquela emoção grande toma conta da gente e a lágrima rebelde escorre pelo rosto, todas as nossas teorias perdem o sentido. Tornam-se insignificantes diante daquilo. Por isso, eu também zelo muito pelo meu sentimento. E até aceito bem quando alguém me classifica como “divulgador de tokusatsu”, uma vez que eu criei uma mídia (o Henshin World) e mantenho ela ativa, acho válido. Porém, lá no fundo, eu sinto que o meu objetivo não é exatamente divulgar, isso é mais uma consequência. Acima de tudo, eu me sinto como um tokufã que anseia por um retorno às suas origens. Que anseia por atingir o maior grau de intimidade possível com cada produção que assiste. Coisa assim, para mim, está muito acima de qualquer outra ambição que um divulgador possa vir a ter um dia.

Taty – O que o inspira a escrever sobre uma determinada série?
Goggle Red – A inspiração está em toda parte. Eu posso hoje visitar um blog como o seu, ler determinada postagem que você tenha feito, discordar de uma certa frase ou passagem de seu texto e, através daquilo, defender esse meu ponto de vista contrário da melhor forma possível, ou seja, dando origem a um novo material de debate. Posso também querer expandir uma ideia que você tenha abordado no seu texto apenas superficialmente, ou me aprofundar melhor em algum comentário que eu já tenha feito por lá. Aqui eu estou colocando você e seu blog como exemplo, mas tudo isso vale para qualquer colega de nosso meio. Por esse motivo, valorizo muito a atividade de outros tokufãs antes de dispensar esmero à minha própria atividade. Já aquilo que sai de mim mesmo se baseia em algo que eu tenha assistido. Mas, nesse caso, esse "algo" precisa, obrigatoriamente, ter me tocado de alguma forma, ter conseguido se comunicar com o meu sentimental. Nessa hora é quase impossível traduzir a coisa em palavras, mas vale pela tentativa, pelo menos.

Taty – O Henshin World trás uma concepção das perspectivas diante das expectativas de um tokufã sobre uma determinada série, ou de um personagem, dentro do universo tokusatsu. Já se desmotivou nessa jornada, por algum motivo, pensando em desistir do Blog? O que o motiva e desmotiva nessa jornada?
Goggle Red – Não, nunca houve um momento específico em que eu pensasse "vou desistir". Na verdade, eu sempre encarei a hipótese de parar com a máxima naturalidade, como uma possibilidade real, que pode acontecer até independente da minha vontade. Não acho que isso ocorreria puramente por falta de motivação minha para continuar. Vejo vários outros fatores, de caráter pessoal, que poderiam provocar o fim dos meus trabalhos pelos tokus, e reconheço que todos eles seriam de muito maior importância para mim do que manter uma simples mídia de toku. Jamais eu sacrificaria minha vida pessoal ou meu cotidiano por um reles gosto. Pois nesse caso, muito mais importante do que minha mídia seriam as amizades que eu fiz através dela, e que, uma vez sendo verdadeiras, certamente continuarão após o Henshin World. Que dizer então da minha vida pessoal? Ou dos outros gostos que tenho, e que superam até mesmo meu gosto pelos tokus?
O que me motiva a continuar é a sensação de que ainda posso contribuir para a comunidade toku com ideias novas, com visões minhas, que eu compreendo como inéditas entre os tokufãs, etc. Meu trabalho pelo toku também me serve como passatempo, o que é outra motivação. Já minha falta de motivação para fazer tudo isso é mais ocasional, e praticamente não tem relação com o universo exterior. Tenho consciência de que consegui atingir um certo nível de trabalho que supera aquilo que eu fazia em épocas passadas, e sei também que eu preciso vigiar para manter esse nível atual. O que requer de mim um volume de trabalho muitas vezes extenso e que, na impossibilidade de ser realizado, nem faz valer a pena que eu inicie outro projeto.

E se Goggle Red fosse um dos produtores da Toei?
Taty – Vamos usar um pouco de imaginação agora (IMAGINATION!): Se você fosse um dos produtores da Toei, o que você levaria em conta na hora de produzir uma determinada série? Pontue pelo menos três pontos fundamentais que a sua produção seguiria.
Goggle Red – Em se tratando de Toei (e observando o que ela fez com Kamen Rider Gaim e Tokkyuger), eu não teria dúvidas quanto a primeira providência que eu tomaria dentro daquela equipe de produção. Eu iria sugerir que nos preparássemos melhor contra um eventual deslumbramento na hora de aplicarmos as nossas últimas conquistas em tecnologia de efeitos especiais. Acho puro deslumbramento, por exemplo, usar toneladas de CGI para criar cenários fictícios de pano de fundo, só para dar aquele clima de anime, aquela coisa forçada. Puro desperdício. Tokkyuger fez coisa assim ao longo da série inteira, mas passou dos limites, nesse sentido, naquele episódio em que a Kagura se caracterizou de diretor(a) de cinema. Já Kamen Rider Gaim, no dia em que terminou, dava a impressão de ter se consolidado como o melhor tokusatsu da história, você só via tokufã excitado com a conclusão da trama, com aquelas emoções à flor da pele. Tudo balela. A trama de Gaim foi quase perfeita mesmo, mas a ação, no meu modo de encarar, foi péssima. Repare que o abuso de CGI por lá foi tão grande que os produtores até criaram uma forma de combate que dispensava completamente o trabalho dos atores e dos dublês, a Suika Arms. Algo que, levando em conta o histórico dos tokus (ou seja, justo a parte que eles deveriam estar zelando e preservando), é muito errado. Num bom toku, CGI é potencializador da ação, e não gerador. Ele deve ser usado para dar ênfase a uma sequência, e não para criar toda aquela sequência, dispensando material humano. A ação de Gaim foi tão ruim que, guardadas essas proporções todas, eu só me recordo de uma luta da fase final em que o CGI foi usado corretamente, como simples potencializador: aquela do Gaim contra o Ryugen na Yomotsuheguri Arms_ quando o Mitsuzane já estava fora de si, de tão obcecado em sua paixão pela Mai. Acho que, para evitar que acontecessem coisas assim no núcleo de produção da Toei, uma boa solução seria a constante troca de ideias com outros produtores reconhecidos mundialmente pelo uso que fazem de seus efeitos especiais nos dias de hoje. Através desse diálogo, que poderia ocorrer em palestras periódicas ministradas dentro da empresa, por exemplo, eu tentaria sanar isso que eu vejo como problema. Algo muito possível, veja que a primeira luta do AkaNinger, em Ninninger, foi maravilhosa. O pessoal dos efeitos sabe como fazer, mas precisa se imunizar contra o deslumbramento.
O segundo ponto fundamental na produção de um toku que eu fizesse parte também diz respeito à tecnologia. Como uma extensão das palestras que teríamos com outros produtores experientes, seria fundamental nosso diálogo com eles também para usarmos todas as nossas últimas conquistas dessa área, de maneira integral e consciente. Apareceu tecnologia nova, para mim é conquista, então eu quero usar isso no meu toku. Eu preciso usar isso no meu toku. Mas não de qualquer forma, e sim de uma forma consciente, que traga benefícios ao nosso espólio e que valorize ainda mais toda nossa trajetória anterior de conquistas. Já minha terceira e última investida enquanto produtor não seria muito substancial, pois já está bem desenvolvida. Ficar atento aos costumes de comportamento dos dias atuais, refletir todos esses costumes nos personagens e fazer um toku com a cara dos nossos tempos.

E então, super bacana essa entrevista, não é mesmo? Aguardem pela segunda parte! Até lá! E lembrem-se podem deixar seus comentários aqui ou nos enviar um e-mail para tatisatsu@gmail.com

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Segunda Parte da Entrevista (CLIQUE AQUI)
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5 comentários:

  1. Até que enfim a identidade do meu amigo Red foi revelada :D
    Fantástica essa primeira parte da entrevista, na segunda etapa eu postarei uma opinião mais correta sobre as respostas do meu amigo Goggle Red.

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  2. Agora posso compartilhar a identidade dele com outros, hehehe.

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  3. Parabéns Taty e Goggle Red. A entrevista bem esclarecedora e divertida de se ler.
    Concordo com a parte que o Red-san cita o uso consciente de CGI. Realmente é uma pena quando as conquistas tecnológicas são usadas como fim e não como um meio de potencializar a ação.
    Aguardando pela parte 2.

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  4. Caraca, é muito bom conhecer um pouco mais de um cara que eu admiro, respeito e curto pra caramba....mas deixa eu ficar quieto e correr pra ler a segunda parte. Parabens pelas perguntas Taty e volte logo a ativa internética

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